quinta-feira, setembro 22, 2005

Girando pelos parques da vida

Não sei...

A vida às vezes parece uma ciranda
a gente roda, roda, e não sai do lugar.

Tem dias que a vida se assemelha à montanha russa
em cima, em baixo, em cima, em baixo.

Em alguns momentos sentimos calafrio
como num trem fantasma.

Tem horas em que arriscamos todas as fichas
para acertar a bola na boca do palhaço.

Por breves instantes nos sentimos nas nuvens
como que descendo em um tobogã.

Sentimos tensão com um misto de alegria
para subirmos na roda gigante do cotidiano.

Em situações deixamo-nos colidir com os problemas, sem perder o humor,
nos carrinhos bate-bate do viver.

Mas existem aqueles breves minutos de desespero
em que gritamos perplexos ao ver a "mulher gorila" sair das grades...

Tantos parques visitei
muitos brinquedos conheci
emoções múltiplas experimentei
mas nenhum parque de diversões
consegue proporcionar
a diversidade de sentimentos
a complexidade de vivências
os gritos de pânico
os choros de tanto rir
o riso de quem chorou
a alegria de ganhar
a tristeza de sair
a beleza de viver
o dia-a-dia
assim
simples
sozinho
idiossincrático.

Agora eu sei...

Na ciranda da vida
vivo o dia
vivo a noite
vivo o hoje.

Porque o amanhã
já não me pertence.

terça-feira, setembro 13, 2005

Em terreno novo...

Sinto-me nua,
crua,
iniciante.
Todo começo é traumático...para quem?
Para o médico ou para o paciente?
Para a parturiente ou para o recém-nascido?
Para o novo motorista ou para os transeuntes?
Trauma - de quem, contra quem, por que?
Existiria mesmo esse embate - novo e velho
conhecido e desconhecido,
esperança e dor da espera.
Nua, entretanto, vejo-me.
Crua, sinto-me.
Iniciante, convicta.
Mas após o trauma do novo
depois da expectativa do desconhecido,
a concretização da espera
o alcançar de um sonho,
o desfazimento de uma apreensão
o fim de uma novidade.
Que antes doía
e agora, terreno firme,
faz-se constante, alívio, refrigério, paz.
Em terreno novo
o melhor remédio continua sendo o tempo.