segunda-feira, setembro 18, 2006

Onde estão os fundamentos do Brasil?

Quando os fundamentos são destruídos, que pode fazer o justo?? (Sl 11.3)

No dia 12 de julho de 2006, quinta-feira, acordei e, como de costume, liguei o rádio. Na manchete, o locutor anunciava que a cidade de São Paulo viveu mais uma noite de terror. Até aquele momento, a Polícia contabilizava 27 ataques feitos por criminosos à delegacias da Polícia Civil, postos da Polícia Militar e estabelecimentos comerciais. Ainda não é meio-dia quando escrevo, e cinco pessoas já morreram. Continuei a ouvir o noticiário, e ouço que as estimativas da CPI dos Sanguessugas são de que mais de 60 congressistas podem estar envolvidos em mais um escândalo de corrupção. Além da compra de ambulâncias, os sanguessugas agiam também no Ministério das Comunicações. Poucos dias atrás, metade dos vereadores de Montes Claros (MG) foi presa pela Polícia Federal, por corrupção. Em determinados morros do Rio de Janeiro, os criminosos determinam quem pode e quem não pode fazer campanha política.

Os fundamentos do Brasil estão sendo destruídos. A impressão que temos é que o país está nas mãos dos criminosos, tenham eles colarinho branco ou não. Desde crianças, ouvimos aquele velho ditado: ?o crime não compensa?. Mas parece que, no Brasil, o ditado é invertido. Policiais, agentes penitenciários e até vigilantes são assassinados, enquanto a cúpula do crime permanece ativa, mesmo em presídios de segurança ?máxima?. Juízes, promotores e procuradores não conseguem prender os mensaleiros, mas eles já estão em campanha, prontos para voltar ao Congresso. Quando as coisas chegam a este ponto, que pode fazer o justo?

O Salmo 11 nos dá algumas respostas a esta questão. Em primeiro lugar, a Igreja não pode fugir como se fosse um pássaro (Sl 11.1). Antes, ela precisa confiar no Senhor, e permanecer em sua missão de iluminar um mundo em trevas. Se não podemos confiar na polícia ou no Estado, ainda temos um Deus que pode nos proteger. A Bíblia diz que as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja (Mt 16.18). Precisamos ir, até o inferno, se for preciso, para levarmos o Reino de Deus, em todas as suas dimensões, onde hoje impera a violência e a desesperança. Não podemos mais nos esconder, fingir que não é com a gente. Precisamos agir.

Em segundo lugar, a Igreja precisa voltar a pregar sobre justiça. O salmista tem a consciência de que Deus observa os filhos dos homens (Sl 11.4) e que Ele prova os justos e os ímpios (Sl 11.5). E qual o resultado da observação? Deus odeia o homem violento (Sl 11.5) e promete juízo sobre ele (Sl 11.6). O nosso Deus não é apenas um Deus de graça, mas também um Deus de justiça, que recompensa os retos (Sl 11.7), mas pune os ímpios. Prega-se muito sobre felicidade, bem-estar, prosperidade, alegria...mas quantas pregações são feitas sobre justiça, as conseqüências do pecado e o Juízo Final? Ou não foi Jesus quem disse: ?Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos? (Mt 5.6)?

O que acontece em São Paulo, Rio de Janeiro ou Brasília afeta a todos nós, brasileiros. E cabe a nós, Igreja brasileira, assumirmos o nosso papel para que este quadro possa ser revertido.

Por esta razão, quero fazer aqui uma proposta para todos os evangélicos do Brasil. Proponho que cada igreja local separe o primeiro fim de semana de cada mês para organizar uma reunião de oração pedindo pela transformação do Brasil, pelo fim da criminalidade, por justiça. Esta reunião pode ser uma vigília, uma tarde de oração no sábado, no horário que for melhor para a sua igreja local. Se a sua igreja não comprar a idéia, peço que você chame os seus amigos e faça esta reunião na sua casa. E proponho também que, neste fim de semana, o tema da pregação do culto de domingo seja sobre justiça, paz, transformação social.

Creio que medidas simples como essa podem ser bem mais eficazes do que grandes ajuntamentos de cristãos em praças ou ruas, que podem ser utilizados por políticos mal-intencionados. Sem falar que, cada igreja está inserida em um contexto social próprio, e terá seus próprios motivos de oração. Se a sua igreja está em uma área residencial, chame as pessoas para orar no sábado ou no domingo, de dia. Se ela pode fazer barulho até mais tarde, organize uma vigília na sexta à noite. Se sua igreja é tradicional ou pentecostal, ore da maneira como vocês estão acostumados. Se preferirem, juntem duas ou três igrejas para orar. O modo não importa. O importante é que possamos orar e estudar a Bíblia, pedindo que Deus mude o Brasil.

O que eu proponho não é um movimento político ou partidário, mas sim espiritual. Não sou afiliado a nenhum partido ou ligado a qualquer político, evangélico ou não. Sou apenas alguém que crê que, por meio da oração e da reflexão bíblica, Deus vai começar a levantar ministérios em todas as denominações, para transformar a face do nosso país.

Sinta-se à vontade para mandar este e-mail para o seu pastor ou seus irmãos de fé ou publicar no seu blog. Peço apenas que você não mude o seu conteúdo. Uma cópia dele estará disponível no site http://nozima.blogspot.com.

Eu vou orar. Espero que você possa orar junto comigo.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro
http://nozima.blogspot.com